sábado, 3 de março de 2012

Mentira

Mentira, doce e amada tu és
pois livras-nos da dor da sinceridade
e há quem diga ámen, é fé
pois tu és a verdadeira Deusa
a mais pura omnisciência do nosso Éden.

Quente e fantástica fuga
seja na palavra, no acto e ate no pensamento
nasces o camaleão em nós
Tu és o improviso planeado do eterno momento.

Há quem de ti faça pecado mortal
mas sobre ti use-mos a verdade, tu és dádiva
témente, amaldicoam-te e difamam-te
mas convenha-mos, sois a secreta amada
em que na ocasião és usada.

Desbravas pelo caminho do amor e do poder
onde agilizas o meio para atingir o fim
há quem não te perdoe, mas tu não és defeito
és simplesmente a face do contrafeito.

Veem-te na omissão e na invenção
mistério selvagem a ti ninguém te controla
pois tens vontade própria e sempre te revelas
para acabares na eterna memoria

Dama de negro que dança com quem pede
mas comigo jamais farás par
que eu na tua mão não pego pois odeio-te
viste acabámos de dançar.

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