segunda-feira, 9 de abril de 2012

Raiva

Raiva que me consome a alma
quando te sinto o espírito pega fogo
manifestas-te por capricho ou importância
alimentas os meus pobres guerreiros.

Agitas multidões que contigo mudam
crias os pais das revoluções
enches os corações aos filhos da injustiça
mas serás qualidade ou defeito?! És sentimento.

És a mão executora do ciúme e da traição
matas no calor do momento apaixonado
torturas os pensamentos dos puros
gostas de te exibir na negação.

Combustível da minha luta diária
Exprimo-te com gritos mudos
pois minha voz está cansada
e começa a nascer o desejo do fim.

Espero que não me descontroles
que durmas o doce sono que eu te der
para que possa utilizar-te à minha vontade
instrumento do meu ódio.

Não te amaldiçoo-o, mas temo-te
peço que em mim não magoes os amados
mas dai-me força para beijar os odiados
que refugio em mim sempre te darei.

O que se passa?!

Ainda sinto tão belas palavras
que o povo unido jamais será vencido
ditas no dia 25 de aquele glorioso Abril
pelos unidos filhos da revolução
que lutaram com coragem e um cravo na mão.

Eu não era nascido nesse tão belo dia
em que os capitães se tornaram míticos
o povo, o medo perdeu e liberdade gritou
e os valores de Abril assim nasceram.

Valores esses que chegam já perto do fim
os seus capitães põe em causa a revolução
o povo desunido, chama pelo velho ditador
começo-me a perguntar então o que se passa?!

Porque trouxeram a doce liberdade
se pensam desistir a meio da luta?
seremos nós condenados à ditadura?!
se não, então que fazem os filhos de Abril?!

Não saiam à rua só para fazer barulho
gritem com alma e tomem atitudes
não queiram tornarem-se dependentes de governos
eles são corruptos todos nós o sabe-mos.

unam-se mais uma vez e criem revoluções
nunca ficaram sozinhos, nunca
teremos sempre em nós a conquista
que herda-mos dos nossos bravos antepassados.

O povo é quem mais ordena, nunca esqueçam
e façam também com que eles nunca o esqueçam
nós somos a bandeira e a pátria
por isso batalha para que Abril nunca morra.

...Há diversas modalidades de estado
os estados sociais, os corporativos
e o estado a que chegámos...
palavras de um sábio que nunca deverás esquecer
com elas trouxe a revolução à rua.

Espero que quando leres isto, que penses
pensa no que se está a passar.
Diz-me querido Salgueiro Maia o que fazer
com o estado a que chegámos.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Inglória Busca

Tenho no peito uma cidade perdida
fantasma de sentimentos esquecidos
submersa por este oceano escuro como breu
águas dormentes pela melancolia.

Vagueio sob este intenso céu
coberto de nuvens sangrentas
carregadas com os trovões dos pecados
casa das chuvas da amargura.

Vivo rodeado por estas montanhas
de fria e cruel pedra
insensíveis ás minhas lágrimas
que secas me queimam o coração.

Tenho a alma aprisionada por barras de gelo
sinto-a arder em busca da liberdade
apenas vê o sol pelas serradas brumas
com as suas escrituras trazem-nos o medo.

Dou por mim neste navio sem velas
que espera que este mar ganhe ondas
pois os seus remos estão cansados
e os ventos de nada servem.

Os soldados da felicidade estão desolados
de tão inglória busca pela sua rainha
já só pensam num fim pacifico
mas estão condenados a esta busca.

Nasceram com a sentença já lida
estão destinados a não ter alegrias
a viverem num circulo repleto com o vazio
alimentados pela raiva de nada ter.

E contra a sentença do destino nada se pode
por isso eu capitão dos meus sentimentos
ordeno que se abandone esta miserável busca
afinal a tristeza também nos impulsiona.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Utilidades

O pincel, ferramenta do pintor
que realiza a sua imaginação
ao viajar pela tela com as tintas
concretizador de belas artes.

A caneta, arma do escritor
criadora de poemas, criticas ou letras soltas
dá significado as tristes folhas vazias
e deixa marcas de saber para o futuro.

câmara, companheira do fotografo
com ela guarda o momento para todos
traz-nos as imagens, para com elas viajar-mos
deixa para a posterioridade o acontecimento.

Tesoura, útil ao cabeleireiro e ao estilista
com ela criam as tendências da moda
na companhia do talento chegam à beleza
constrói belas alegrias para as gentes.

Pistola, guarda do justo e do pecador
para defesa ou ataque ela é utilizada
é obediente a quem a comanda
mas é apenas poder na nossa mão.

E tu o que és?
a ferramenta ou o artista? não sabes?!
não faz mal olha o céu e o teu redor
e verás que tudo é algo.

Tu és a criação que pode criar
por isso faz algo que algo serás
trabalha firme, e nunca quebrarás
pois és criador e tudo podes.

Hipocrisia

Com pesar na alma escrevo estas palavras
não mais consigo calar o que sinto
a hipocrisia destas massas já me sufoca
é por demais a vitimização destas gentes.

Vejo esta hipocrisia ao olhar a corrupção
é tão criticada quando é ferramenta de outros
devia haver punição para tal acto maligno
mas a bela cunha essa não a dispensamos.

Na culpa ela também se encontra
mas apenas na culpa maléfica, porque bons nós somos
poluição, culpa capitalista, reciclagem coisa de rico
eu sou do injustiça-do povo de nada tenho culpa.

O patriotismo, elo forte da hipocrisia
é aclamado na defesa do nosso clube no estrangeiro
por quem o hino não sabe cantar, e a bandeira é um desenho
mas que importa isso o patriotismo é apenas uma palavra.

Não me poderia esquecer da religião, seria pecado
católicos, muçulmanos, judeus, hipócritas digo eu
os maiores assassinos da história contra a morte
que importa isso?! é por Deus!

Democracia senhora critica de ditaduras
criadora de impérios capitalistas opressivos
seus povos, orgulhosos democratas, por velhos ditadores sussurram
governadores, responsáveis por tais actos, que podemos nós?!.

Só falto eu claro, protagonismo não quero
eu sou o justo que sobre ela escreve mas desconhece
mas não o vou negar a hipocrisia é parece protectora
e tu achas-te hipócrita ou justo?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em mim só para ti

Vivo perdido nesta selva, desespéro por ti querida leoa
que sejas a liberdade destruidora destas minhas correntes;
és a poesia das estrelas, nasces-te para mim como a lua para a noite
vagueias no meu pensamento nesse teu vestido branco de pureza, musa
ouço o teu riso no meu pensamento e nasce em mim a primavera do desejo
surge em mim tempestade de sentimentos ao pensar nos teus lábios
Com desejo insano caio na tentação de querer saborear as tuas mil paixões
quando tuas palavras leio, meu coração grita, por ao meu peito estar confinado
o ar não mais me quis, queria ser teu pois és a inspiração que respiro
o meu espírito recusa-se a ficar quieto perante tão grande ânsia da tua chegada
Sorrio quando te encontro nos meus pensamentos, são hinos de alegria
desejo meu contraste, que tu paixão incendeies este meu glaciar.

Perdoa-me por manchar estas folhas a falar da minha pessoa
pois o nada que eu sou não merece restar descrito onde tua beleza é o Éden
as minhas dores transformam-se em medos, temores dos quais não sei fugir
que proíbe que o calor do amor e da paixão sejam para mim nobres companheiros
vivo no dilema da excruciante duvida, entre vontade de fugir e cobardia de ficar
eu tento ser homem exemplar de valores seguros, mas mentira, pois nada sou
sou aparência oca de coragem, não mais nada sei ser que fugidia presa assustada
escudo-me e uso a camuflagem da antipatia e arrogância para quem me descobre
em mim habitam abismos da longa noite obscura, frios e infindos
senhores criadores dos meus receios que me prendem a esta segura solidão
perdoa-me ou odeia-me por estas palavras serem negras. Para ti só sinceridade,
pois trouxeste a este naufrago a luz do porto de salvação, e mereces a verdade.

És a revolução que criou em mim esta minha tão esperada guerra de sentimentos
agora contigo como minha nação estou disposto a guerrilhar pela minha liberdade
que venham trovões, tornados ou furações, que venham deuses e demónios
por esta crença estou preparado para não quebrar, firme me vou manter
contigo criar novos mundos, mundos de inocência onde a felicidade seja lei
se isto é um sonho, então só espero acordar quando ele se concretizar
descubro-me a dançar contigo à chuva ou estar a ti agarrado ao calor da lareira
não sei que seja isto, loucura, paixão, desejo, imaginação, a doce ilusão
vá para o inferno a lógica e a razão, que pare o tempo, e que perdure o momento
embarquemos numa viagem sem chão ou destino, flutue-mos de corações abertos
apenas o em mim corre o pensamento, de tu a bailaras romance à minha volta
és o nascer dos meus dias e a revelação do ocaso da minhas tristes amarguras.

 revitalizaste-me a energia, és sem duvida um milagre, obra de um sábio mestre
princesa das amazonas com a tua espada de fogo a minha melancolia irás rasgar
aristocrata de sentimentos, com as tuas palavras me deixas no êxtase da alegria
és tudo isso e muito mais, num futuro que loucamente desejo como ninguém
mas estou cansado de escrever os meus quereres e fantasias, creio-me doido
quero saber de ti, quem és, onde estas, eu quero-te juro, da-me um sinal peço-te.
neste momento nada mais sei, do que apenas virás a ser para mim, serás tudo
no agora és tudo isto imaginação, desejo, querer, loucura, a irrealidade
não é que não existas, ainda não te encontrei, por isso crio-te na minha mente
crio uma esperança que me permita continuar a acreditar que o céu é possível
que um anjo um dia me vai agraciar com a sua luz e aos seus braços me prender
eu acredito e tu será que também acreditas que é possível?!